30 de jul. de 2010

Tucunaré, peixe tolo

O documentário Pele Verde, dirigido pelo cineasta Jorge Bodanzky e financiado pelo Bradesco, mostra a vida dos moradores de unidades de conservação florestal no Amazonas. Nos dez episódios, os próprios caboclos, que tiveram participação na escolha dos temas, na captação de imagens e na edição, contam aspectos da sua cultura e da luta pela sobrevivência. Veja no segundo episódio, Pescaria na Amazônia: sem preservação, não haveria fartura.
http://www.youtube.com/watch?v=NKfVMS9qfcY&feature=related

Foto: Portal da Amazônia - http://portalamazonia.globo.com/pscript/amazoniadeaaz/artigoAZ.php?idAz=51

Exposição Tiriyó e Kaxuyana

Exposição etnográfica


TECENDO A ARTE, TECENDO A VIDA

O Iepé e o Museu do Índio-Funai inauguram no dia 01 de agosto, na Universidade Federal do Pará, a exposição “Tecendo a arte, tecendo a vida: mulheres Tiriyó e Kaxuyana”, com curadoria de Denise Fajardo Grupioni e Luís Donisete B. Grupioni e cenografia de Simone Melo.

Para as mulheres tiriyó e kaxuyana a vida é feita de fios: fios de algodão com que tecem suas peças e fios vitais, como o sangue, com que tecem suas vidas. Nesta simbólica em que tecer é dar vida, em que um tear é como uma aldeia, em que se tecem relações entre coisas e pessoas, a arte da tecelagem imita a arte da socialidade.

Cotidianamente e por gerações, das mais jovens às mais idosas, as mulheres tiriyó e kaxuyana confeccionam, com extrema habilidade, colares, pulseiras, tangas femininas e cinturões masculinos, para uso próprio e de seus familiares. Neste universo, em que se tece pelo prazer de tecer, emerge um rico repertório de padrões gráficos, aplicados à tecelagem, aos objetos e aos corpos.

Esse é o tema desta exposição que retrata a arte da tecelagem com algodão, sementes e miçangas das mulheres tiriyó e kaxuyana, que vivem na faixa oeste da Terra Indígena Parque do Tumucumaque, no Pará. A exposição compõe-se de painéis fotográficos e peças etnográficas que resultam de um programa de valorização cultural em curso desde 2006 entre mulheres de 12 a 80 anos, de mais de 20 aldeias, e foi especialmente concebida para integrar a programação da 27ª. Reunião Brasileira de Antropologia.

Esta exposição, que ficará aberta ao público de 01 a 15 de agosto na Capela Ecumênica da Universidade Federal do Pará, integra as ações do Programa de Valorização e Gestão de Patrimônios Culturais Indígenas do Tumucumaque, desenvolvido pelo Iepé com apoio da Embaixada da Noruega, Iphan, Museu do Índio, Coordenação Regional da Funai em Macapá, Petrobras e Rainforest Foundation.

http://www.institutoiepe.org.br/noticias/47-eventos/154-exposicao-tiriyo-kaxuyana.html

1 de jul. de 2010

Portal terá acervos sobre a Amazônia

Caracterizada pela grande variedade ambiental, sociocultural e de condições institucionais de suas sub-regiões, a Amazônia é marcada também por gigantescas transformações econômicas e ambientais, entre elas o desmatamento intenso e a urbanização.

Com o objetivo de coletar, organizar e disponibilizar informações sobre a região produzidas nos últimos 40 anos, e dessa forma fomentar futuras estratégias, políticas e programas, o IEA lançou em 2009 o Programa “Amazônia em Transformação: História e Perspectivas”, que tem como coordenadora geral Maritta Koch-Weser, presidente da Earth3000, como coordenadora geral e José Pedro de Oliveira Costa, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, como coordenador adjunto.

Segundo os coordenadores, muitos trabalhos sobre a região ficaram limitados a subsidiar projetos públicos ou privados, programas e entidades. Além disso, inúmeros estudos e relatórios permaneceram restritos aos arquivos de empresas, agências, institutos e universidades ou integram os acervos particulares de pesquisadores. Existe também uma vasta gama de outros documentos, inclusive visuais, que não tiveram a devida divulgação, como relatórios de campo, pesquisas, trabalhos esporádicos, discussões estratégicas ou de planejamento, mapas, inventários, filmes e fotografias. Muitos não estão catalogados, são de difícil localização e estão precariamente preservados.

Essa situação motivou a formulação do projeto coordenado pelo IEA, com o objetivo salvaguardar informações importantes sobre a Amazônia para pesquisas atuais e futuras, além de servir ao planejamento de políticas públicas. A proposta já foi contemplada com R$ 317 mil do Programa de Infraestrutura da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para a aquisição de equipamentos e programas necessários à digitalização e disponibilização na web dos acervos.

O projeto está dividido em quatro partes:

1) Recuperação

  • resgate de arquivos privados e institucionais;
  • realização de uma série de entrevistas com protagonistas de desdobramentos históricos na Amazônia a partir dos anos 60;
  • digitalização de materiais não publicados até o momento, tornando-os acessíveis às instituições acadêmicas e a outros interessados.
2) Portal "Amazônia em Transformação"
  • um vasto banco de dados, para uso acadêmico;
  • uma área aberta a contribuições e que permita a troca de informações entre pesquisadores e outros interessados na questão articulação, via links e outros meios, com outras fontes de informação sobre a Amazônia.
3) Diálogos Estratégicos
  • realização de uma sequencia de fóruns que proporcionarão o encontro de especialistas, estudantes e tomadores de decisão; os primeiros tópicos de diálogo incluem desafios e oportunidades relacionadas com a gestão de bacias hidrográficas, mudanças climáticas na Amazônia e desenvolvimento de negócios sustentáveis.
4) Arquivo e Biblioteca
  • constituição de um Centro de História da Amazônia, com um acervo físico de documentos e livros sobre a região; pesquisadores pioneiros que se dedicaram por muitos anos à Amazônia já ofereceram suas coleções.
Para a consecução desses objetivos, o projeto pretende desenvolver uma base de cooperação institucional a mais vasta possível. O meta inicial é desenvolver parcerias com instituições e programas especializados, nacionais e internacionais, de forma inclusiva e cooperativa.

Fonte: http://www.iea.usp.br/amazoniea.html

4 de jan. de 2010

As Águas da Amazônia e a Biodiversidade Aquática

Os rios amazônicos, a floresta e seus ecossistemas associados, como várzeas e igapós, fazem do Brasil um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo. Tais ecossistemas têm um papel central para a preservação e regulação do clima tanto da Amazônia quanto dos biomas vizinhos.

Atividades econômicas praticadas na região, tais como a pesca, a exploração madeireira, o extrativismo vegetal, a agricultura e pecuária, a mineração, a geração de energia e o sistema de transporte, se beneficiam do uso dos recursos aquáticos e hídricos que, embora de proporções consideráveis, são limitados e encontram-se ameaçados pelo crescimento desordenado desses setores e atividades, e dos conflitos entre seus diferentes usuários.

A ocupação e uso desordenado dos rios amazônicos, além de comprometer a qualidade dos recursos hídricos e a biodiversidade aquática, ameaçam a qualidade de vida das populações locais, tais como comunidades ribeirinhas, pescadores artesanais, grupos indígenas, agricultores e produtores rurais, que utilizam os recursos naturais como fonte de geração de renda e subsistência.

A solução para esses problemas requer a participação dos atores relevantes, do governo e da sociedade, no desenvolvimento de Programas de Ação voltados ao manejo integrado dos recursos aquáticos e hídricos das sub-bacias da região, por meio de formação, informação e diálogo com os conhecimentos e práticas locais.

Projeto Manejo Integrado dos Recursos Aquáticos na Amazônia - AquaBio

O Projeto AquaBio tem como principal objetivo a promoção de ações estratégicas voltadas para o manejo integrado da biodiversidade aquática e dos recursos hídricos na bacia amazônica, garantindo sua conservação e uso sustentável. O Projeto tem o seu alicerce na parceria entre poder público, sociedade civil e instituições de ensino e pesquisa, entre outros, de forma que a conservação da biodiversidade aquática seja internalizada, de forma participativa, nas políticas e programas de desenvolvimento para a Amazônia. O AquaBio está estruturado em quatro componentes:

1 - Planos e Políticas Públicas promoverá articulações e arranjos institucionais para que órgãos governamentais e sociedade civil, por meio de seus técnicos, pesquisadores, produtores e lideranças, formalizem parcerias, discutam os problemas relacionados à conservação da biodiversidade e elaborem Programas de Ação para a gestão integrada e sustentável dos recursos aquáticos.

2 - Atividades Demonstrativas apoiará projetos locais, com a finalidade de gerar experiências e lições aprendidas, incluindo novas tecnologias ou sistemas de produção, visando incorporar as preocupações com a biodiversidade aquática nas várias atividades produtivas, contribuindo dessa maneira para o desenvolvimento dos Programas de Ação e, conseqüentemente, para a formulação e implementação do manejo integrado de recursos aquáticos. Será dada ênfase no processo de seleção dos projetos locais, àqueles com capacidade de replicação em outras regiões da bacia e da Amazônia.

3 - Capacitação tem como foco oferecer conhecimento, informação e sensibilização sobre os diversos temas relacionados à biodiversidade aquática e recursos hídricos, incluindo ainda a formação em associativismo e cooperativismo como tema propulsor da participação efetiva de todos nesse processo, levando em consideração as especificidades locais. Isso significa gerar maior capacidade operacional e decisória das instituições e da sociedade civil nas esferas local, estadual e federal para apoiar e implementar a gestão integrada da biodiversidade aquática e dos recursos hídricos e gerar maior capacidade institucional para administrar e coordenar ações nas sub-bacias, monitorar os impactos e disseminar as experiências geradas pelo Projeto.

4 - Gestão, Monitoramento e Avaliação e Disseminação de Informações está relacionado à coordenação geral do Projeto, apoiada pelas coordenações estaduais do Amazonas, Mato Grosso e Pará. Além dessas atividades, esse componente prevê o desenvolvimento de um Sistema de Informações sobre Biodiversidade Aquática (SIBA) articulado a outros sistemas de monitoramento já implantados ou em implantação e a disseminação das informações geradas pelo Projeto para os demais estados da Amazônia e para os países que compartilham a bacia com o Brasil.

Abrangência

O Projeto AquaBio abrange parte de três tributários do rio Amazonas: o rio Negro (municípios de Novo Airão, Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e Manaus, no estado do Amazonas), o rio Xingu (municípios de Água Boa, Canarana e Querência, no Mato Grosso) e rio Tocantins (quatro municípios a serem selecionados dentre nove localizados na região a jusante da UHE Tucuruí - Abaetetuba, Barcarena, Igarapé-Miri, Limoeiro do Ajuru, Oeiras do Pará, Cametá, Baião, Mocajuba, e Moju, no Pará).

Beneficiários

Dentre os beneficiários diretos do Projeto destacam-se técnicos de órgãos governamentais, lideranças comunitárias, universidades, organizações não-governamentais, pescadores, ribeirinhos, agricultores familiares, povos indígenas, e produtores rurais.

Recursos e Parceiros

O orçamento total do projeto é de US$ 17,l milhões, dos quais US$ 7,1 milhões são referentes a uma doação do Fundo para o Meio Ambiente Mundial – GEF, por intermédio do Banco Mundial. Os demais recursos são provenientes do Governo Federal e dos estados do Amazonas, Mato Grosso e Pará.

Os principais parceiros do Ministério do Meio Ambiente (MMA) na implementação do AquaBio são o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (SDS/AM), a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Mato Grosso (SEMA/MT) e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará (SEMA/PA). A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) também auxiliará o MMA na execução das atividades do Projeto em áreas onde existem povos indígenas.